| Remédio vencido não pode ir para o lixo |
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Embora médicos e profissionais de saúde cansem de alertar sobre os riscos da automedicação, é difícil encontrar quem não mantenha a chamada “farmacinha caseira”. No armário do banheiro, lá estão eles: remédios para febre, dor de cabeça, colírios, antiinflamatórios e até antibióticos. Mas o que fazer com esses medicamentos quando eles não são consumidos e perdem o prazo de validade? Embora muita gente não saiba, o lixo comum ou o vaso sanitário não são o destino correto para esses produtos. Por conterem substâncias químicas, eles podem contaminar o solo e a água e oferecer riscos à saúde da população e de animais.Por falta de informação ou desconhecimento sobre postos de coleta, a maioria das pessoas acaba fazendo o descarte de forma inadequada. Um estudo feito pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas e Bioquímicas Oswaldo Cruz entrevistou 1.009 pessoas na cidade de São Paulo e mostrou que apenas 2,7% dos entrevistados já haviam recebido alguma orientação sobre descarte de medicamentos vencidos. O levantamento constatou que 75,32% das pessoas descartam a medicação no lixo doméstico e 6,34% jogam na pia ou no vaso sanitário. E mais, 92,5% nunca perguntaram sobre a forma correta de fazê-lo. A falta de informação pode ser uma das explicações para os altos índices de intoxicação por medicamentos. Em 2007, o Centro de Controle de Envenenamentos, da Secretaria da Saúde do Paraná, registrou 3,3 mil casos de intoxicação causadas por remédios. Além dos riscos da ingestão acidental ou sem orientação, diferentes pesquisas feitas por equipes do Mestrado Profissional em Gestão Ambiental da Universidade Positivo têm demonstrado outras conseqüências do descarte inadequado. De acordo com a professora Cíntia de Oliveira, as concentrações de medicamentos detectadas em rios, lagos e mares são extremamente baixas, mas não podem ser consideradas inofensivas. “São substâncias químicas que estão no meio ambiente, mas que não são naturais de lá e por isso podem alterar as características originais”, completa a professora Ana Flávia Godói. Qualquer medicamento ingerido, independentemente do tipo, será eliminado do organismo por meio da urina. Estudos comprovam que 80% a 95% dos antibióticos são eliminados em sua forma original. Esses resíduos vão parar direto no esgoto, que por sua vez chega aos rios, lagos e mares. Embora a água e o esgoto passem por tratamento, esses processos não conseguem eliminar completamente os resíduos. “Em contato com os microorganismos presentes na água, esses produtos podem contribuir para a existência de bactérias cada vez mais resistentes”, afirma Ana Flávia. Além disso, as pesquisas sugerem que a concentração de hormônios na água, provenientes de pílulas anticoncepcionais, já é capaz de causar algumas alterações genéticas em peixes. Ou seja, descarte inadequado de medicamentos prejudica a fauna e conseqüentemente a saúde do homem, seja por meio da seleção de microorganismos mais resistentes ou pela contaminação de alimentos. “Há estudos que sugerem ainda outras conseqüências, como o aumento nos casos de alergias a remédios e alteração nos padrões da voz em homens, distúrbios de comportamento e puberdade precoce, por causa da concentração de hormônios femininos na água”, aponta Cíntia. Tanto a Universidade Positivo como as Faculdades Pequeno Príncipe já tiveram programas de coleta orientada de medicamentos vencidos ou impróprios para uso. Atualmente os dois projetos estão suspensos, embora as duas instituições demonstrem interesse em retomar as iniciativas e até ampliá-las para além da comunidade acadêmica. O Conselho Nacional do Meio Ambiente estabelece normas para o descarte de medicamentos e lixo hospitalar apenas para órgãos ligados à saúde pública, como clínicas e hospitais, mas não faz nenhum tipo de regulação sobre o descarte domiciliar. A orientação da prefeitura é de que os medicamentos vencidos sejam levados aos postos de coleta de lixo tóxico, localizados nos terminais de ônibus. “A orientação vale para qualquer tipo de medicação, seja comprimido, xarope ou pomada”, esclarece Cíntia. Para a coordenadora do curso de Farmácia das Faculdades Pequeno Príncipe, Rosiane Zibetti, além da educação da população sobre o assunto, é preciso criar mais postos de coleta. “É preciso incentivar as pessoas a não guardarem medicamentos em casa. Há a opção de doar o que sobra nas farmácias solidárias”, afirma. Para ela, outro ponto que contribuiria na diminuição do problema seria a venda fracionada de medicamentos, que foi autorizada há seis anos em todo o país, mas ainda é pouco praticada. Fonte: Cecilia Valenza - Gazeta do Povo |




Embora médicos e profissionais de saúde cansem de alertar sobre os riscos da automedicação, é difícil encontrar quem não mantenha a chamada “farmacinha caseira”. No armário do banheiro, lá estão eles: remédios para febre, dor de cabeça, colírios, antiinflamatórios e até antibióticos. Mas o que fazer com esses medicamentos quando eles não são consumidos e perdem o prazo de validade? Embora muita gente não saiba, o lixo comum ou o vaso sanitário não são o destino correto para esses produtos. Por conterem substâncias químicas, eles podem contaminar o solo e a água e oferecer riscos à saúde da população e de animais.




